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Estudo Bíblico sobre Gálatas 2:21- A Justiça não vem pela Lei

 Estudo Bíblico: Justiça Não Pela Lei

Texto Base: Gálatas 2:21; 3:23

Gálatas 2:21 é um golpe fatal no legalismo: "Se a justiça vem pela lei, logo Cristo morreu em vão"

A questão mais crucial da existência humana não é como viver bem ou como ser próspero, mas sim: “Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2). Desde a queda no Éden, a inclinação natural do ser humano é tentar fabricar "aventais de folhas de figueira" — uma justiça própria baseada no esforço e na moralidade. Contudo, o veredito bíblico é implacável: a justiça que salva é um presente do céu, não uma conquista da terra.


I. A Insuficiência da Lei  

A Lei de Deus é santa, justa e boa (Romanos 7:12), mas ela possui uma limitação funcional: ela pode diagnosticar a doença, mas não pode curar o paciente.

    • O Papel de Tutor (Gálatas 3:23-24): Antes da fé, estávamos sob a custódia da Lei. O termo grego paidagogos (tutor) refere-se ao escravo que conduzia a criança à escola. A Lei nos pega pela mão e nos leva até a porta de Cristo, mostrando que somos incapazes de cumprir suas exigências.

    • A Revelação do Pecado: Como afirma Romanos 3:20, a função da Lei é dar "pleno conhecimento do pecado". Ela é o espelho que revela a mancha no rosto, mas ninguém usa o espelho para lavar a sujeira.

    • O Fim da Lei para Justiça: Romanos 10:4 declara que Cristo é o fim (telos — objetivo, término) da Lei para justiça de todo aquele que crê. Ele cumpriu o que nós quebramos.


II. O Escândalo da Cruz e a Justiça Própria

A lógica de Paulo em Gálatas 2:21 é um golpe fatal no legalismo: "Se a justiça vem pela lei, logo Cristo morreu em vão".

    1. A Morte de Cristo seria Desnecessária: Se houvesse qualquer conjunto de regras, ritos ou sacrifícios humanos capazes de reconciliar o homem com Deus, o Pai teria poupado Seu Filho da agonia do Calvário.

    2. A Prova da Incapacidade: A cruz é o monumento à falência humana. Se o próprio Filho de Deus precisou morrer, é porque o nosso pecado é grave demais para ser resolvido por esmolas, orações ou obediência legalista.


III. A Doutrina da Imputação: A Grande Troca

O coração do Evangelho reside em 2 Coríntios 5:21. Este versículo descreve o que os reformadores chamavam de "O Maravilhoso Intercâmbio".

    • Pecado Imputado a Cristo: Ele, que não conheceu pecado, foi "feito pecado" por nós. Na cruz, Jesus foi tratado como se tivesse cometido todos os nossos crimes.

    • Justiça Imputada ao Crente: Nós somos "feitos justiça de Deus" n'Ele. Somos tratados como se tivéssemos vivido a vida perfeita de Jesus.

    • Crédito, não Débito: Em Romanos 4:4-5, Paulo distingue entre salário (o que se deve por obras) e graça (o que se recebe por fé). A justiça de Deus é creditada na conta do pecador que confia, não do que trabalha para merecer.


IV. Ética vs. Justificação: Por que imitar Jesus não salva?

Existe um erro sutil na modernidade: a ideia de que somos salvos ao seguir o "exemplo moral" de Jesus.

    • Natureza antes da Prática: Ninguém se torna justo praticando atos justos; é preciso ser declarado justo por Deus para então praticar a justiça. A ética cristã (viver o Sermão do Monte) é o fruto da salvação, nunca a sua causa.

    • Regeneração Necessária: Sem o novo nascimento, o esforço para imitar Jesus é apenas "moralismo", uma tentativa de colocar remendo de pano novo em vestes velhas.


V. A Falência da Justiça Humana (O Exemplo de Paulo)

O apóstolo Paulo era o "campeão" da meritocracia religiosa. Em Filipenses 3:4-9, ele lista suas credenciais: circuncidado, israelita, fariseu zeloso e irrepreensível na lei.

A Mudança de Paradigma: Ao encontrar Cristo, Paulo não apenas "somou" Jesus ao seu currículo; ele considerou todo o seu brilho religioso como esterco (skubalon) para que pudesse ser achado n'Ele, possuindo a justiça que vem de Deus pela fé.


VI. O Reinado da Graça e a Obra do Espírito

A justificação não é apenas um termo jurídico; ela desencadeia uma realidade viva.

    1. O Reinado da Graça (Romanos 5:21): Onde abundou o pecado, a graça superabundou para reinar por meio da justiça.

    2. A Garantia do Selo: Ao crer, o salvo é selado com o Espírito Santo (Efésios 1:13), que passa a produzir santificação.

    3. A Ordem Divina:

        ◦ Posição (Justificação): O que Deus faz por nós (Justiça imputada).

        ◦ Prática (Santificação): O que Deus faz em nós (Justiça comunicada pelo Espírito).


VII.  DOIS HOMENS, DOIS REINOS

O texto de Romanos 5:12–21 apresenta o contraste central da Bíblia:

    • Adão → pecado, condenação e morte

    • Cristo → justiça, graça e vida

A grande pergunta é:

Estamos em Adão ou em Cristo?

Estamos debaixo da lei ou debaixo da graça?

VII. AS TRÊS GRANDES LEIS DA BÍBLIA

Conforme Romanos 8:2–4, vemos três princípios espirituais:

  A lei do pecado e da morte

Resultado da queda de Adão.

    • Romanos 5:12 — Por um homem entrou o pecado, e pelo pecado a morte.

    • O pecado reina.

    • A morte domina.

    • Todos nascem condenados.


 A lei dada no Sinai (Lei de Moisés)

    • A lei entrou para que a ofensa abundasse (Romanos 5:20).

    • Pela lei vem o conhecimento do pecado (Romanos 3:20).

    • Ministério da condenação (II Coríntios 3:9).

A lei:

    • Não salva

    • Não aperfeiçoa

    • Não justifica

    • Apenas revela culpa


 A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus

    • Romanos 8:2 — A lei do Espírito da vida nos livra da lei do pecado e da morte.

    • Vida substitui morte.

    • Graça substitui condenação.


VIII. A TRÍPLICE CONDENAÇÃO DO HOMEM

Segundo as Escrituras:

 Condenado em Adão

Romanos 5:18 — Por uma ofensa veio a condenação sobre todos.

Toda humanidade:

    • Herdou natureza pecaminosa

    • Está separada de Deus

    • Está espiritualmente morta


 Condenado pela Lei

    • Romanos 7:10 — O mandamento que era para vida tornou-se morte.

    • A Lei expõe a incapacidade humana.


 Condenado por rejeitar Cristo

    • João 3:18

Quem não crê já está condenado.

A rejeição do Salvador mantém o homem em condenação.


 A OBRA GLORIOSA DE CRISTO

 O segundo Adão

    • Romanos 5:19 — Pela obediência de um muitos serão feitos justos.

    • Cristo reverte a tragédia do Éden.


 Justificação gratuita

    • Atos dos Apóstolos 13:38–39

Por Ele é anunciada remissão e justificação.

O que a Lei não podia fazer:

    • Cristo fez na cruz (Romanos 8:3).


 O reinado da graça

    • Romanos 5:21

A graça reina pela justiça para a vida eterna.

Agora não reina:

    • O pecado

    • A morte

    • A condenação

Reina a graça.


IX. DEBAIXO DA LEI OU DEBAIXO DA GRAÇA?

    • Romanos 6:14 — Não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

Estar debaixo da lei significa:

    • Condenação

    • Mérito humano

    • Esforço próprio

    • Frustração espiritual

Estar em Cristo significa:

    • Perdão completo

    • Justiça imputada

    • Vida eterna

    • Nova posição diante de Deus


 NÃO HÁ CONDENAÇÃO EM CRISTO

    • Romanos 8:1 — Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo.

Porque:

    • Cristo morreu (Romanos 8:3)

    • Ressuscitou (João 10:17–18)

    • Venceu a morte (II Timóteo 1:10)

A cruz satisfez completamente a justiça divina.


X. A SUPERIORIDADE DA NOVA ALIANÇA

    • Hebreus 7:19 — A Lei nada aperfeiçoou.

    • Efésios 2:13 — Fomos aproximados pelo sangue de Cristo.

Pergunta final do estudo:

 O que é melhor?

Estar tentando agradar a Deus sob a Lei

ou

Estar perfeito diante de Deus em Cristo?


Estudo Bíblico sobre Gálatas 2:21- A Justiça não vem pela Lei

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Conclusão

A justiça humana, no seu melhor estado, é comparada por Isaías a "trapos de imundícia" (Isaías 64:6). Tentar apresentar nossas boas obras para a salvação é como tentar pagar uma dívida de bilhões com moedas de chocolate. A única justiça aceitável no tribunal divino é a de Jesus Cristo.

Resumo Doutrinário:

    • A Lei: Mostra que somos culpados.

    • A Cruz: Mostra que o preço foi pago.

    • A Fé: É a mão que recebe o recibo da quitação.


Aplicação Prática

    • Você ainda carrega o peso de tentar ser "bom o suficiente" para Deus? Descanse na justiça de Cristo.

    • Você entende que suas boas obras hoje são um "obrigado" a Deus, e não um pagamento pela sua entrada no céu?



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Autor: Ronaldo G. Silva é Bacharel em Teologia e Professor de Homilética sendo Pós-Graduado em Educação pela UFF. Entusiasta do trabalho de evangelização e divulgação da Palavra de Deus.
 

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