Por que Jesus não salvou a Si mesmo?
Texto Base: Mateus 27:38-44
Introdução
O mundo está repleto de ironias, mas nenhuma é tão profunda ou impactante quanto a que ocorreu no Calvário. Enquanto Jesus estava pendurado na cruz, os transeuntes, os líderes religiosos e até os ladrões ao Seu lado lançavam-Lhe um desafio sarcástico: "Se tu és o Filho de Deus, desce da cruz!" e "Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se" (Mt 27:40, 42).
A ironia reside no fato de que Jesus, o Salvador do mundo, recusou-se a salvar a Si mesmo. Ele, que tinha todo o poder do universo à Sua disposição, permaneceu pregado ao madeiro sob zombaria. Hoje, exploraremos por que o silêncio e a imobilidade de Jesus na cruz não foram sinais de fraqueza, mas de um poder e um amor insondáveis.
I. Ninguém poderia tirar a vida de Jesus
Muitos olham para a crucificação e veem apenas uma execução política ou um erro judiciário. No entanto, a perspectiva bíblica é que Jesus era o Senhor absoluto de Sua própria vida.
A. Tentativas frustradas
Desde o Seu nascimento, houve tentativas de silenciá-Lo. Herodes tentou matá-Lo ainda bebê (Mt 2:16). Os nazarenos tentaram lançá-Lo de um despenhadeiro (Lc 4:28-30). Em todas essas vezes, Jesus passou por eles ileso, porque Sua hora ainda não era chegada.
B. O engano dos poderosos
Os romanos e os judeus acreditavam que detinham o controle. Pilatos chegou a dizer: "Não sabes tu que tenho poder para te soltar e tenho poder para te crucificar?". Jesus respondeu com autoridade: "Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado" (Jo 19:10-11). Se Ele quisesse, poderia ter convocado mais de doze legiões de anjos (Mt 26:53).
C. O cumprimento da profecia
Jesus não salvou a Si mesmo porque tinha um compromisso com a Verdade e com as Escrituras. Ele precisava ser "levantado" como a serpente no deserto (Jo 3:14-17). Ele aceitou as afrontas, as bofetadas e a cuspida para cumprir o que o Espírito havia dito através dos profetas (Is 50:6; 53:2-11). Sua morte não foi um acidente, mas um plano deliberado determinado pela presciência de Deus (Atos 2:22-23).
II. Jesus deu Sua vida livre e voluntariamente
A razão pela qual Jesus não desceu da cruz não foram os cravos em Suas mãos, mas o amor em Seu coração.
A. Libertação da Lei
Jesus veio para cumprir perfeitamente a Lei de Moisés (Mt 5:17-18). Como o único ser humano a nunca transgredir a Lei (1 Jo 3:4), Ele Se tornou o sacrifício perfeito. Ao morrer, Ele "cancelou a escrita de dívida" que era contra nós, cravando-a na cruz e nos libertando da maldição da Lei (Gálatas 3:10-14).
B. Libertação do pecado
O homem é escravo daquilo a que obedece. Sem Cristo, somos escravos do pecado (Rm 6:16; Jo 8:34). Jesus não salvou a Si mesmo para que pudesse salvar a nossa alma. Ele veio ao mundo para salvar os pecadores (1 Tm 1:15). Onde abundou o pecado, Ele fez superabundar a graça através do Seu sangue (Rm 5:20).
C. Um sacrifício por amor
Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos (Jo 15:13). Se Jesus tivesse descido da cruz para provar Sua identidade aos zombadores, Ele teria provado Sua divindade, mas teria falhado em Sua missão como Salvador. Ele preferiu morrer para que nós pudéssemos viver.
Veja também
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Conclusão
Devemos ser eternamente gratos pelo fato de Jesus não ter atendido ao clamor da multidão para "salvar a Si mesmo". Se Ele tivesse descido da cruz, nós estaríamos perdidos em nossos pecados, sem esperança e sem Deus.
O sacrifício de Jesus exige uma resposta. Não basta admirar Sua coragem ou lamentar Seu sofrimento. Esse amor deve nos conduzir ao arrependimento e à obediência. Ele foi preparar um lugar para nós, mas esse lugar é destinado àqueles que O amam e guardam os Seus mandamentos (João 14:1-3).
Jesus não salvou a Si mesmo para salvar você. Como você responderá a esse sacrifício hoje?
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