A Fome pela Palavra: O Perigo da Escassez Espiritual
Por volta de 750 a.C., um homem simples, agricultor e pastor de Tecoa, foi arrancado de seus campos por um chamado irresistível. Seu nome era Amós. Sua missão era árdua: advertir o Reino do Norte (Israel) sobre o julgamento iminente de Deus caso não houvesse arrependimento.
Entre as muitas pragas e calamidades profetizadas, uma se destaca pela sua natureza peculiar e terrível: não uma fome de pão, nem sede de água, mas "fome de ouvir as palavras do Senhor" (Amós 8:11). Israel havia rejeitado os profetas tanto que Deus, finalmente, se calaria.
O profeta Amós, em uma das profecias mais impactantes do Antigo Testamento, descreve uma fome que vai além do físico.
Essa fome espiritual é uma realidade em muitos lugares do mundo. A missão da Igreja não é apenas suprir as necessidades físicas, mas, principalmente, saciar a fome mais profunda e duradoura da alma. Vamos explorar as verdades que nos mostram por que a obra missionária é a resposta de Deus para essa fome da Palavra.
1. A Fome de Hoje: Diferente, mas Tão Trágica Quanto
A Profecia Sobre a Fome Espiritual
Estamos vivendo em uma época em que há muita fome na terra. A palavra de Deus está amplamente disponível hoje.
Mais Bíblias são possuídas agora do que em qualquer outra época. Porém ainda assim a situação nos “últimos dias” é indicativo de uma fome
Observe algumas semelhanças em 2 Timóteo 3: 1-4
- “Amantes de si mesmos” (v. 2)
- “Amantes do dinheiro” (v. 2)
- “Amantes do prazer” (v. 4)
Eles vão ouvir os profetas que lhes dizem o que devem ouvir, para que possam fazer o que querem. Isso não é novidade (Isa. 30: 10-11)
“E se desviará de ouvir a verdade e se perderá em mitos” (2 Timóteo 4: 4, ESV)
O antídoto para essa fome é se alimentar da palavra de Deus. Viva de acordo com o livro (2 Tim. 3: 14-17).
Através de missões urbanas a verdadeira palavra deve ser levada aos homens
A profecia de Amós nos lembra que existem lugares e tempos em que o acesso à Palavra de Deus é escasso. O texto fala de uma fome de ouvir as palavras do Senhor. A missão da Igreja é levar o alimento espiritual a esses lugares. Não podemos nos contentar em ter o pão da vida para nós mesmos enquanto o mundo ao nosso redor está morrendo de fome espiritual.
É necessário notar uma diferença fundamental entre os dias de Amós e os nossos:
• Deus não enviou a fome atual: Na Grande Comissão, Jesus ordenou que a Palavra fosse levada a todas as nações (Mt 28:19; Mc 16:15; At 1:8). A Palavra está disponível; se há fome, é porque a igreja ou o indivíduico pararam de "comer".
• As Causas são Idênticas: Embora a origem seja diferente, as razões pelas quais as pessoas param de ouvir a Deus não mudaram:
1. Luxo Material: Amós denunciou aqueles que viviam à larga em Sião, cercados de marfim e música, mas indiferentes à ruína espiritual (Am 6:1-8). Deus já havia avisado que a prosperidade poderia levar ao esquecimento de Deus (Dt 8:11-14). Jesus confirmou: as riquezas podem sufocar a Palavra (Lc 8:14).
2. Corrupção Moral: Israel vendia o justo por prata e pisava na cabeça dos pobres (Am 2:6-7). Quando o pecado domina, a Palavra incomoda, e as pessoas buscam mestres que digam apenas o que elas querem ouvir (2 Tm 4:3).
3. Corrupção Religiosa: Eles mantinham os rituais, mas seus corações estavam na exploração (Am 8:4-10). Uma religião de fachada cria uma barreira contra a verdadeira voz de Deus.
O Resultado: Jovens e fortes desmaiam de sede espiritual (Am 8:13-14). Sem a Palavra, não há sustento para a alma.
2. Acabando com a Fome: O Poder do Alimento
A Palavra Como o Verdadeiro Pão da Vida
Os líderes do tempo de Amós abusaram falharam.
Amós profetizou que a fome espiritual estava no horizonte e seria ainda mais devastador e necessário que pão e água.
Jesus confirmou “está escrito que não viveremos de pão somente, mas por toda palavra que sai da boca de Deus ”(Mateus 4: 4).
Jesus deixou ainda mais claro quando disse a Marta: “Maria escolheu a melhor parte”, sentar-se a seus pés e receber a palavra de Deus. (Lucas 10: 40-42)
Não podemos falhar ao entregar a Palavra que vem de Deus
Para encerrar o jejum espiritual, precisamos mudar nossa atitude em relação às Escrituras:
1. Aprecie o Poder da Palavra: Ela nos concede tudo o que diz respeito à vida e à piedade (2 Pe 1:2-4). É a nossa espada para lutar contra o inimigo (Ef 6:17). Jesus não derrotou Satanás com argumentos filosóficos ou força física, mas com o constante: "Está escrito" (Mt 4; Mt 8:16).
2. Alimente-se Dela: Não basta admirar o banquete; é preciso comer. Devemos desejar o "leite espiritual" como recém-nascidos para que possamos crescer (1 Pe 2:2).
3. Ore por Entendimento: Como o salmista, nossa oração deve ser: "Desvenda os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei" (Sl 119:18, 33-37). O estudo sem oração é apenas intelecto; a Palavra com oração é transformação.
O apóstolo Paulo, em Romanos 10:14, nos confronta com a urgência da pregação: "Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram?" O Evangelho só pode saciar a fome espiritual se for pregado. A obra missionária é a resposta prática a essa pergunta. É nossa responsabilidade, como Igreja, levar a mensagem de salvação a todos que ainda não a ouviram.
Jesus nos chamou a abrir os nossos olhos para a urgência da missão. Ele disse: "...levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa." (João 4:35). A necessidade é imediata. Muitos estão famintos agora, e a colheita precisa ser feita. A urgência da colheita deve nos impulsionar a sermos mais ativos na obra missionária.
A missão não termina com a evangelização. Após ressuscitar, Jesus comissionou Pedro com uma ordem clara: "Apascenta as minhas ovelhas." (João 21:17). Missões é também sobre nutrir os novos convertidos, discipulá-los e alimentá-los com a Palavra. O trabalho do missionário é garantir que o rebanho de Cristo seja nutrido e fortalecido.
A fome espiritual, quando direcionada a Deus, será saciada. Jesus prometeu: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos." (Mateus 5:6). Onde a Palavra é levada, a fome e a sede são saciadas pela justiça de Deus. O resultado do nosso trabalho missionário é a satisfação e a plenitude de vida que só o Evangelho pode dar.
A dedicação à obra missionária tem uma recompensa eterna. O profeta Daniel nos garante: "Os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas sempre e eternamente." (Daniel 12:3). Há um galardão eterno para quem se dedica à obra de saciar os famintos espirituais. O nosso trabalho na terra terá um reflexo na eternidade.