Este estudo bíblico nos leva ao centro da crucificação de Cristo para extrair a lição mais difícil e, ao mesmo tempo, mais libertadora do cristianismo: o perdão sob pressão. Em Lucas 23:32-37, vemos Jesus no auge da dor física e da humilhação moral, reagindo de uma forma que desafia a lógica humana.
Quais devem ser as nossas reações quando somos maltratados?
Introdução
Ao examinarmos a vida de Cristo, aprendemos a lidar com todos os aspectos da existência de forma perfeita. Jesus não apenas pregou sobre o amor, Ele o viveu no momento mais sombrio de Sua jornada. Mesmo sendo terrivelmente maltratado — cuspido, açoitado e pregado em uma cruz — nosso Senhor nos ensinou que a reação cristã ao mal não é o contra-ataque, mas o perdão. O nosso maior desafio é aprender a perdoar como Ele perdoou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34).
I. A Diferença entre as nossas Dores e as de Cristo
Muitas vezes, nossas reações são desproporcionais às ofensas que recebemos.
• O Sofrimento Supremo: Nenhum de nós teve que suportar as torturas físicas e o escárnio público que Jesus suportou. Ele foi ridicularizado pelos líderes, pelos soldados e até pelos que passavam (Lucas 23:35-37; Marcos 15:32).
• Nossa Realidade: Em comparação, nossas feridas costumam ser críticas, fofocas ou injustiças interpessoais. Embora doam, raramente chegam ao nível de perseguição física ou morte.
• Nossas Reações Típicas: Quando somos maltratados, a carne clama por:
1. Vingança: Queremos "dar o troco". Mas a Bíblia diz: "Não vos vingueis a vós mesmos... a mim pertence a vingança" (Romanos 12:19).
2. Punição: Queremos que o outro sofra. No entanto, somos instruídos a não retribuir o mal com o mal, mas a buscar sempre o bem (1 Tessalonicenses 5:15; Romanos 12:17).
• O Alvo: Devemos desenvolver uma resposta de perdão, sendo uns para com os outros benignos e compassivos, perdoando-nos como Deus nos perdoou em Cristo (Efésios 4:32; Colossenses 3:13).
II. A Disponibilidade do Perdão
O perdão cristão não é um evento único, mas uma postura contínua do coração.
• O Limite do Perdão: Pedro perguntou se deveria perdoar até sete vezes. Jesus respondeu que o padrão é "setenta vezes sete" (Mateus 18:21-22). Isso não significa um número matemático (490), mas um perdão ilimitado.
• A Condição do Arrependimento: Embora devamos ter um espírito perdoador para com todos (para não guardarmos amargura), a restauração plena da comunhão ocorre quando há arrependimento. Se um irmão pecar e se arrepender, devemos perdoá-lo tantas vezes quanto ele o fizer (Lucas 17:3-4).
• Reciprocidade com Deus: Se nos recusamos a perdoar, fechamos a porta para o próprio perdão de Deus sobre nós (Mateus 6:15).
III. Jesus: O Exemplo da Graça Irrestrita
Jesus provou que não há pecado "grande demais" que a graça não possa cobrir.
• O Desejo de Deus: Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:3-4).
• O Caso de Paulo: Saulo de Tarso era um perseguidor e blasfemo, mas encontrou misericórdia para que Jesus demonstrasse nele uma paciência completa, servindo de exemplo para todos nós (1 Timóteo 1:12-16).
• O Poder do Evangelho: Jesus perdoará qualquer pessoa que obedecer ao Evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvação (Romanos 1:16).
• A Natureza do Pecado: Não devemos deixar que a gravidade do que nos fizeram determine se vamos perdoar ou não. O perdão é uma decisão de liberar o ofensor, baseada na graça que nós mesmos recebemos.
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Conclusão
Perdoar como Jesus perdoa é um desafio que exige a morte do nosso ego. É uma decisão espiritual, não um sentimento. No entanto, a Bíblia e a experiência mostram que a gentileza e o perdão demonstrados a quem nos maltrata podem ser a semente de algo transformador.
Quem sabe, a sua reação graciosa diante de uma ofensa seja o que Deus usará para levar o seu agressor ao arrependimento? Que busquemos a cada dia a mente de Cristo para reagir ao mal com o poder do perdão.
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