Três Coisas Horríveis que Fizeram a Jesus
Texto Base: Mateus 26:14-16; João 18:15-27
Introdução
É uma verdade dolorosa da experiência humana que nem mesmo as pessoas mais gentis, generosas e puras estão imunes aos maus-tratos. Jesus Cristo, o único homem perfeito que já caminhou sobre a Terra, aquele que "andou fazendo o bem" (Atos 10:38), experimentou em Sua própria carne e alma o peso esmagador da traição, da rejeição e do desprezo.
Embora os cravos e a cruz tenham sido instrumentos de tortura física, as feridas causadas pelo coração humano foram, talvez, as mais profundas. Hoje, vamos meditar sobre três atos horríveis perpetrados contra o nosso Senhor e considerar como, infelizmente, esses mesmos atos ainda se repetem em nossos dias.
I. A Traição de Judas: O Preço da Ganância
A primeira coisa horrível foi a traição vinda de dentro do círculo íntimo. Judas Iscariotes não era um estranho; era um apóstolo.
• O Coração Corrompido: A traição não começou no Getsêmani, mas no coração. João 12:4-8 revela que Judas tinha uma afeição desordenada pelo dinheiro; ele era o tesoureiro que roubava da bolsa. Quando a ganância habita o coração, a lealdade a Cristo é colocada à venda.
• O Valor de um Salvador: Judas vendeu o Senhor da Glória por trinta moedas de prata — o preço de um escravo ferido (Mateus 26:14-16). Ele trocou o Eterno pelo efêmero.
• O Beijo Hipócrita: O método da traição foi o cúmulo da crueldade: um beijo (João 18:5). O sinal de amizade foi usado como arma de entrega.
• Aplicação: Hoje, devemos nos perguntar: por quanto temos traído o Senhor? Por um pouco de prestígio, por um prazer pecaminoso momentâneo ou por lucro desonesto? Jesus perguntou: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Marcos 8:36-37).
II. A Rejeição de Pedro: A Fragilidade das Promessas
Diferente da traição planejada de Judas, a rejeição de Pedro nasceu da fraqueza e do medo sob pressão.
• A Autoconfiança de Pedro: Pedro acreditava piamente em sua própria força. Ele afirmou que, ainda que todos abandonassem Jesus, ele jamais o faria (João 13:36-38). No jardim, ele chegou a sacar a espada para defender o Mestre (João 18:10-11).
• A Queda: No entanto, diante do fogo e das perguntas de uma serva, o herói se tornou um desertor. Ele negou o Senhor três vezes, chegando a jurar que não o conhecia (João 18:15-27).
• A Graça do Reencontro: O que torna essa história suportável é o arrependimento de Pedro. Ao ouvir o galo cantar, ele chorou amargamente (Mateus 26:75). Após a ressurreição, Jesus o restaurou (João 21:15-19), provando que a rejeição não precisa ser o fim da história.
• Aplicação: Todos nós falhamos (Romanos 3:23). Às vezes negamos a Jesus com o nosso silêncio ou com o nosso comportamento em lugares onde Ele não é bem-vindo. Mas, se confessarmos, Ele é fiel e justo para nos perdoar (1 João 1:8-10; 2:1-2).
III. A Recusa de Caifás: O Ódio Religioso e Político
Enquanto Judas traiu e Pedro negou, Caifás — o sumo sacerdote — recusou terminantemente a própria existência de Jesus como o Messias.
• O Julgamento Injusto: Caifás liderou uma farsa jurídica, buscando falsas testemunhas para condenar o Inocente (Mateus 26:57-60). Ele não queria a verdade; ele queria a eliminação de um "problema".
• A Tentativa de Apagamento: Ele queria Jesus removido da existência e da história (Mateus 26:61-66). Para Caifás, Jesus era uma ameaça ao seu sistema de poder e tradição.
• O Cenário Moderno: Vivemos em uma era que se assemelha ao espírito de Caifás. Governos, instituições de ensino e sistemas sociais tentam "remover" Jesus da esfera pública, banindo Seus valores e Sua Palavra.
• Nosso Dever: Não podemos permitir que o Senhor seja "removido" das nossas vidas. Devemos pregar a Palavra a tempo e fora de tempo (2 Timóteo 4:2), pois o Evangelho é a nossa única esperança.
Veja também
- Pregação sobre Salmo 119:160 - A soma da tua palavra é a verdade
- Como Ser Exatamente como Jesus
- Será que Realmente Conhecemos a Deus?
Conclusão
Judas traiu por dinheiro. Pedro negou por medo. Caifás recusou por poder. Essas três coisas horríveis feriram o coração de Cristo no caminho para o Calvário.
Que nunca se diga que a Igreja de Cristo hoje faz o mesmo. Que não o traiamos pelo amor ao mundo; que não o rejeitemos sob a pressão da sociedade; e que não recusemos Sua autoridade em nossas decisões diárias.
A notícia maravilhosa é que, apesar de tudo o que fizemos a Ele, Ele nunca desistiu de nós. Ele prometeu: "Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5). Se Ele foi fiel a nós em meio a tanta dor, sejamos nós fiéis a Ele em meio a qualquer circunstância.
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